Ter um filho esgrimista...
Era ainda muito pequenino, com 3/4 anos de idade, quando o nosso Dani começou a brincar com as tábuas de madeira fininhas que usávamos para acender a lareira. Escolhia as que lhe pareciam mais adequadas e passava horas a lutar contra um adversário imaginário. Isto até a avó se meter na brincadeira. O que nos chegou a trazer alguns “embaraços” porque quando ele não encontrava a dita tabuinha gritava com toda a força dos seus pulmões:”Onde está a espada para matar a avó?”. Dentro de casa ainda achavamos piada, o pior era quando dizia isto no quintal ou na rua.
A partir daqui as suas fantasias de Carnaval foram sempre as mesmas: Zorro, D`Artagnan, ou qualquer guerreiro que usasse uma espada.
O começo na esgrima só se deu aos 10 anos. O Dani tinha já praticado diversos desportos mas nunca nenhum o cativou o suficiente. Até que vimos um anúncio da modalidade de esgrima numas actividades de férias e procuraramos saber onde se praticava. Fomos recebidos pelo mestre Carlos Rodrigues e os treinos começaram. Nunca notamos qualquer desânimo ou vontade de desistir. E a paixão pela esgrima foi crescendo.
As primeiras derrotas no continente não foram fáceis, mesmo com a presença e apoio do pai. Com o passar dos anos o Dani melhorou a capacidade de lidar com a frustação de não ganhar. Hoje, quando perde, não esconde a sua tristeza mas, quando o tentamos consolar diz-nos que está bem e parece preferir que não lhe falemos muito. Quando ganha, a alegria vê-se mais na expressividade dos olhos e no lindo sorriso do que em gritos de alegria. Nunca se vangloriou das suas vitórias. E preza-nos muito observar quando pede desculpa ao árbitro por ter cometido alguma ilegalidade no jogo.
Para nós, pais, as idas ao Continente, são sempre motivo de muita ansiedade. É a preparação do saco (a mãe tem sempre aquela sensação horrível de que pode faltar alguma coisa importante:” Levas as meias, a luva, o gillet?”), é uma noite com poucas horas de descanso a que antecede a viagem, depois é a viagem de avião, que causa sempre algum stress e claro os jogos, em que ficamos aqui desejando estar lá para lhe dar todo o apoio. A alimentação adequada também passou a ser uma preocupação, fizemos pesquisas, procuramos opiniões e vamos tentando dar ao Dani tudo o que precisa. Mas a falta de apetite quando chega a casa depois dos treinos continua a preocupar-nos.
As provas na Madeira são mais fáceis de gerir tentamos estar presentes o máximo do tempo, dar apoio ao nosso filho, e uma mochila recheada de bebidas energéticas e alimentos, que por vezes acabamos por distribuir pelos outros esgrimistas porque o Dani sob stress e excesso de esforço perde o apetite.
Nos primeiros anos os hematomas que foram aparecendo no corpo do Dani também causaram indignação em alguns professores, perante os quais tivemos que defender a modalidade e informarmos das suas vantagens.
Neste momento os treinos são diários. Por enquanto o Dani consegue conciliar a escola com o desporto, mantendo as boas notas. Quando tem prova no continente dificilmente consegue assistir à 1ª aula de segunda feira, temos tido o apoio da escola e do clube na justificação destas faltas.
Os treinos diários vieram aumentar as viagens Câmara de Lobos/Funchal e Funchal/Câmara de Lobos, a hora do jantar teve de ser adiada para mais tarde, toda a família teve de se ajustar mas, acreditamos que o empenho por um desporto deve ser sempre apoiado e vemos no nosso filho uma força de vontade e uma dedicação tão grande para ser um bom esgrimista que não há dificuldade que nos derrube e nos impeça de estar presente e lhe dar todo o apoio possível.
O nosso envolvimento com os restantes esgrimistas também foi crescendo, alguns conhecemos desde o principio e também acompanhamos o seu crescimento. Tem sido, sem dúvida, importante o convivio salutar de entreajuda e amizade que se vive entre os esgrimistas madeirenses e que tem contribuido para que também nós pais nos apaixonassemos pela modalidade.
Hoje, passados 6 anos, as medalhas e as taças acumulam-se por toda a casa. Para a família representam um motivo de orgulho mas, acima de tudo, representam tudo o que o Dani é ... um lutador.
Os pais do Dani
Era ainda muito pequenino, com 3/4 anos de idade, quando o nosso Dani começou a brincar com as tábuas de madeira fininhas que usávamos para acender a lareira. Escolhia as que lhe pareciam mais adequadas e passava horas a lutar contra um adversário imaginário. Isto até a avó se meter na brincadeira. O que nos chegou a trazer alguns “embaraços” porque quando ele não encontrava a dita tabuinha gritava com toda a força dos seus pulmões:”Onde está a espada para matar a avó?”. Dentro de casa ainda achavamos piada, o pior era quando dizia isto no quintal ou na rua.
A partir daqui as suas fantasias de Carnaval foram sempre as mesmas: Zorro, D`Artagnan, ou qualquer guerreiro que usasse uma espada.
O começo na esgrima só se deu aos 10 anos. O Dani tinha já praticado diversos desportos mas nunca nenhum o cativou o suficiente. Até que vimos um anúncio da modalidade de esgrima numas actividades de férias e procuraramos saber onde se praticava. Fomos recebidos pelo mestre Carlos Rodrigues e os treinos começaram. Nunca notamos qualquer desânimo ou vontade de desistir. E a paixão pela esgrima foi crescendo.
As primeiras derrotas no continente não foram fáceis, mesmo com a presença e apoio do pai. Com o passar dos anos o Dani melhorou a capacidade de lidar com a frustação de não ganhar. Hoje, quando perde, não esconde a sua tristeza mas, quando o tentamos consolar diz-nos que está bem e parece preferir que não lhe falemos muito. Quando ganha, a alegria vê-se mais na expressividade dos olhos e no lindo sorriso do que em gritos de alegria. Nunca se vangloriou das suas vitórias. E preza-nos muito observar quando pede desculpa ao árbitro por ter cometido alguma ilegalidade no jogo.
Para nós, pais, as idas ao Continente, são sempre motivo de muita ansiedade. É a preparação do saco (a mãe tem sempre aquela sensação horrível de que pode faltar alguma coisa importante:” Levas as meias, a luva, o gillet?”), é uma noite com poucas horas de descanso a que antecede a viagem, depois é a viagem de avião, que causa sempre algum stress e claro os jogos, em que ficamos aqui desejando estar lá para lhe dar todo o apoio. A alimentação adequada também passou a ser uma preocupação, fizemos pesquisas, procuramos opiniões e vamos tentando dar ao Dani tudo o que precisa. Mas a falta de apetite quando chega a casa depois dos treinos continua a preocupar-nos.
As provas na Madeira são mais fáceis de gerir tentamos estar presentes o máximo do tempo, dar apoio ao nosso filho, e uma mochila recheada de bebidas energéticas e alimentos, que por vezes acabamos por distribuir pelos outros esgrimistas porque o Dani sob stress e excesso de esforço perde o apetite.
Nos primeiros anos os hematomas que foram aparecendo no corpo do Dani também causaram indignação em alguns professores, perante os quais tivemos que defender a modalidade e informarmos das suas vantagens.
Neste momento os treinos são diários. Por enquanto o Dani consegue conciliar a escola com o desporto, mantendo as boas notas. Quando tem prova no continente dificilmente consegue assistir à 1ª aula de segunda feira, temos tido o apoio da escola e do clube na justificação destas faltas.
Os treinos diários vieram aumentar as viagens Câmara de Lobos/Funchal e Funchal/Câmara de Lobos, a hora do jantar teve de ser adiada para mais tarde, toda a família teve de se ajustar mas, acreditamos que o empenho por um desporto deve ser sempre apoiado e vemos no nosso filho uma força de vontade e uma dedicação tão grande para ser um bom esgrimista que não há dificuldade que nos derrube e nos impeça de estar presente e lhe dar todo o apoio possível.
O nosso envolvimento com os restantes esgrimistas também foi crescendo, alguns conhecemos desde o principio e também acompanhamos o seu crescimento. Tem sido, sem dúvida, importante o convivio salutar de entreajuda e amizade que se vive entre os esgrimistas madeirenses e que tem contribuido para que também nós pais nos apaixonassemos pela modalidade.
Hoje, passados 6 anos, as medalhas e as taças acumulam-se por toda a casa. Para a família representam um motivo de orgulho mas, acima de tudo, representam tudo o que o Dani é ... um lutador.
Os pais do Dani
Obrigada por partilharem esta história, muito pessoal, mas que mostra que com apoio dos pais tudo se torna mais fácil e os resultados estão à vista. Gostei muito!
ResponderEliminarSónia Pereira