SP - Prof. Jorge, como responsável pela abertura da secção de esgrima do clube escola da Gonçalves Zarco, será que nos pode dizer quando e como surgiu este projecto?
Prof. Jorge - Este projecto, tal como em muitas coisas da nossa vida, cresceu de um conjunto de circunstâncias. Eu pessoalmente, sempre achei a Esgrima um desporto muito interessante, e sempre tive curiosidade em um dia o vir a experimentar. Nunca tive essa oportunidade a nível pessoal, no entanto, foi uma das modalidades que propus à minha filha, ao que ela aceitou e tratei de me informar sobre a forma proporcionar a sua prática. Depois de a deixar no primeiro treino, que me impressionou muito pela positiva, na sala de armas do CFU e com o Mestre Carlos, eu já começava a pensar em treinar também Esgrima.
Quando num dia de reunião do clube escola, com os meus restantes colegas, me informaram que seria necessário criar mais uma secção desportiva além da de Atletismo que tínhamos criado no ano lectivo anterior. Começámos por ver as possibilidades de espaço e as modalidades que poderiam ter interesse para os alunos da nossa escola, ao que me lembrei da Esgrima, que foi logo aceite por todos. Como nota, devo referir que sem eu saber, um colega, o Prof. Pedro Brázio, já tinha, no final do ano lectivo passado, falado em desenvolver a Esgrima na escola, mas por impossibilidade de horários não conseguiu ir em frente com o projecto, para muita tristeza minha, mas certamente logo que tenha essa possibilidade irá com certeza abraçar este projecto. Portanto, como pode ver, foi um conjunto de circunstâncias e de necessidades que levaram ao aparecimento da Secção de Esgrima do Clube Desportivo Gonçalves Zarco.
SP - Porquê a modalidade de Esgrima?
Prof. Jorge - Acho que na pergunta anterior já respondi a esta questão, mas posso aprofundar um pouco mais.
A Esgrima foi a nossa opção, pelas seguintes razões:
- Seria uma novidade; uma modalidade que os nossos alunos não abordam na nossa disciplina; dar a oportunidade para novas descobertas.
- Tínhamos um espaço onde poderia ser desenvolvida.
- Sabíamos que havia massa crítica de conhecimento na região, com o Mestre Carlos.
- Sabíamos que a Federação Portuguesa de Esgrima dava apoios para abertura de novas salas de armas, situação fundamental, pois o nosso orçamento é zero.
- Todos os colegas do Clube foram a favor.
- Por último e a mais importante de todas, porque os nossos alunos mostraram grande interesse, se assim não fosse, não faria sentido criar esta nova secção do clube.
SP - Qual tem sido a receptividade e feedbacks por parte dos alunos/atletas que têm experimentado a modalidade?
Prof. Jorge -Esta tem sido uma das situações que nos tem dado mais força, os nossos alunos, como estávamos à espera, tiveram e ainda têm uma grande receptividade a esta modalidade.
Primeiro, todos a conhecem, mas poucos a experimentaram. Logo, a curiosidade fez com que tivéssemos muitas inscrições, no início do ano lectivo, que foi o nosso primeiro teste. Se tivessemos poucas inscrições, provavelmente teríamos de escolher outra modalidade, que
fosse ao encontro das necessidades dos nossos alunos.
No primeiro treino, dos alunos todos que passaram por lá para experimentar, apenas uma aluna saiu a dizer que não tinha gostado e que não iria voltar, todos os restantes disseram que tinham gostado e que iriam voltar aos treinos. Nesse dia devem ter passado na sala, cerca de 30 a 40 alunos, tanto rapazes como raparigas.
SP - Quantos atletas já frequentam os treinos?
Prof. Jorge - Em todos os treinos aparecem alunos novos para experimentar, temos 6 kit's, gentilmente cedidos pela Federação Portuguesa de Esgrima, através do programa de apoio ao arranque de novas salas de armas, e devo dizer que nunca aconteceu ficar com fatos sem serem usados; o mais frequente é ter alunos à espera que fique um kit livre. Em média, nunca temos menos de 10 alunos por treino.
SP - Quando pensam começar a participar nas provas regionais ofíciais?
Prof. Jorge - Esperamos começar a participar já no próximo fim-de-semana, no Campeonato Regional de Juniores, com vários alunos do escalão de cadetes e júniores, depois iremos entrar sempre em todos os restantes escalões.
SP - Quais as maiores dificuldades sentidas no desenvolvimento deste projecto?
Prof. Jorge - Muito sinceramente as dificuldades têm sido poucas, pois toda a gente tem ajudado. Logo, até acho que tem sido um processo muito simples. Ao nível da escola, existe o empenho em proporcionar aos alunos um acesso a uma modalidade que seja do interesse deles, logo, têm ajudado em tudo o que podem, tanto ao nível da Direcção Executiva, na pessoa da sua presidente Dra. Maria João e das restantes colegas, como da nossa Presidente do Clube e Presidente do Conselho Pedagógico, Dra. Divone Homem de Gouveia. Devo fazer uma observação especial para o Prof. Sérgio Abreu, que muito se tem esforçado para que o Clube cresça em número de modalidades e de serviços prestados, sendo incansável a sua colaboração. Ao nível da Federação Portuguesa de Esgrima, na pessoa do seu Exmo Presidente e do Director Técnico Mestre Miguel Machado, a disponibilidade, simpatia e prontidão foram a regra e nunca a excepção. E no final, mas não menos importante, a figura central de todo este processo, o Mestre Carlos Rodrigues que, com toda a sua paixão por esta modalidade, consegue realmente dar força a quem o rodeia para ir em frente com a Esgrima. Devo dizer que os treinos feitos no primeiro período, foram dados com material emprestado pelo Mestre Carlos e esta foi apenas uma das muitas situações em que o Mestre deu o passo em frente e nos apoiou. Temos que agradecer também à ADM que nos auxiliou na realização das filiações e inscrições de atletas.
SP - Quais as ambições/metas futuras?
Prof. Jorge - A nossa ambição é dar um espaço aos nossos alunos, para que estes possam treinar uma modalidade que gostem, sem a preocupação de grandes resultados, mas que através do desporto, conheçam novos amigos e que tenham experiências novas. Deste modo, proporcionamos os treinos, para que os alunos possam elevar os seus níveis de conhecimento e prática desta modalidade e achamos muito importante também a competição que, nesta altura de arranque, será importante para que os nossos alunos conheçam novas realidades e façam novas amizades. No Futuro, ambicionamos que todos os alunos da escola já tenham pelo menos experimentado uma vez a Esgrima. O nosso sonho era que a Escola inteira (alunos, funcionários e professores) praticasse Esgrima. Não é o nosso objectivo principal, mas vamos ajudar na detecção de novos talentos para a Esgrima Regional.
SP - Que mensagem gostaria de transmitir aos esgrimistas madeirenses e aos respectivos treinadores?
Prof. Jorge - Aos esgrimistas, gostaria de lhes dizer, "não imaginam a sorte que têm, em ter treinadores e um ambiente de trabalho como o actual". Aos treinadores, gostaria de dizer, "ainda bem que sabem a sorte que têm, por trabalhar com estes esgrimistas". O ambiente vivido nesta modalidade é muito interessante e que, muito dificilmente, iremos encontrar noutras modalidades, além do mais, apesar de ser uma modalidade muito antiga e tradicional, não se deixou ficar no tempo e soube sempre aproveitar as novidades tecnológicas, ao contrário de outras modalidades, que tentam resistir sempre à evolução. Logo, é uma modalidade muito interessante e com futuro, o que é bom tanto para os esgrimistas, como para os seus treinadores.
Para terminar, deixo uma mensagem para os esgrimistas e treinadores regionais, "preparem-se pois o Clube Desportivo Escola Gonçalves Zarco e os seus atletas vieram para picar!"